Ações da WEG despencam após balanço fraco, mas analistas veem oportunidade de compra

As ações da WEG (WEGE3) encerraram o pregão do dia 23 de julho de 2025 com forte queda de 8,01%, cotadas a R$ 38,01, liderando as perdas do Ibovespa.

A reação do mercado reflete a frustração com o desempenho financeiro da fabricante de motores elétricos, que entregou números abaixo das projeções dos analistas, apesar de mostrar crescimento.

Segundo relatório da XP Investimentos, o principal ponto de preocupação foi a desaceleração no crescimento orgânico da receita, que subiu apenas 1% na comparação anual.

Ritmo bem abaixo dos 5% a 7% registrados nos trimestres anteriores.

“Essa desaceleração compromete a perspectiva de crescimento dos lucros no curto prazo”, afirmou a corretora.

Lucro e receita abaixo do esperado

No balanço divulgado na manhã do dia 23, a WEG reportou lucro líquido de R$ 1,592 bilhão no 2T25, representando alta de 10,4% sobre o mesmo período de 2024.

Apesar do crescimento, o número veio abaixo das expectativas do mercado, que esperava R$ 1,76 bilhão, segundo dados da LSEG.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 2,26 bilhões, alta de 6,5% em base anual, mas também inferior aos R$ 2,49 bilhões projetados.

A receita líquida atingiu R$ 10,21 bilhões, crescimento de 10,1%, mas ainda aquém dos R$ 11,16 bilhões esperados pelos analistas.

Pressões externas e desaceleração global preocupam

A companhia, que atua globalmente em setores como geração de energia, automação industrial e mobilidade elétrica, também enfrenta incertezas com relação às tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.

As novas taxas devem entrar em vigor em 1º de agosto e podem impactar diretamente as exportações da WEG, principalmente para a América do Norte que representa 48% da receita externa da companhia.

Desde o início do ano, os papéis da empresa já acumulam queda de aproximadamente 20%, refletindo o receio dos investidores quanto ao cenário externo e à possibilidade de desaceleração no segundo semestre de 2025.

Goldman Sachs vê riscos no curto prazo

O banco Goldman Sachs destacou que o Ebitda ficou 4% abaixo da sua estimativa e 6% abaixo do consenso da Bloomberg.

O lucro líquido também decepcionou, ficando 5% aquém das previsões do banco e 6% abaixo do consenso de mercado.

A margem Ebitda ficou em 22,1%, levemente acima da média esperada.

Para o Goldman, a desaceleração das receitas já era prevista para o 2S25.

Devido à valorização do real em relação ao mesmo período do ano anterior e à forte base de comparação, influenciada pelo ciclo de investimentos em energia solar.

Ainda assim, os analistas apontam que o cenário mais desafiador pode gerar revisões negativas nas projeções de lucros.

Juros altos e incerteza global afetam projetos

A WEG também sinalizou que as taxas de juros elevadas no Brasil e a instabilidade econômica global têm dificultado a entrega de projetos de ciclo longo.

Especialmente na área de motores elétricos que representou cerca de 50% da receita da companhia no trimestre.

Esse fator tende a impactar negativamente os resultados futuros, tanto no segundo semestre quanto em 2026.

Itaú BBA enxerga queda como oportunidade

Mesmo com os resultados aquém das expectativas, o Itaú BBA vê uma possível janela de entrada para investidores com visão de longo prazo.

“Se a ação mantiver uma queda de 5%, o múltiplo preço/lucro da WEG para 2026 pode chegar a cerca de 23 vezes, o que começa a parecer interessante”, apontou o banco.

O BBA reforçou que a alíquota de imposto de renda mais baixa (17%) foi um ponto positivo.

Se ela tivesse permanecido no nível do ano anterior (23%), o lucro teria sido ainda menor.

O banco já previa um trimestre fraco, mas os dados ficaram 6% abaixo das estimativas para receita e Ebitda, atribuindo isso à redução dos projetos solares em comparação com o 1T25.

JPMorgan destaca margens melhores

O JPMorgan observou que, embora o Ebitda tenha ficado 8% abaixo da sua projeção, a empresa surpreendeu positivamente nas margens.

A margem bruta foi de 33,7% e a margem Ebitda, de 22,1% ambas acima das estimativas do banco.

Além disso, a alíquota efetiva de imposto foi de apenas 16,6%, contra 22,7% no 2T24.

Entre os pontos negativos, o banco americano destaca a receita total, que ficou de 7% a 10% abaixo do esperado.

Impactada pela fraca performance das receitas domésticas (crescimento de apenas 1% contra os 13% esperados).

O lucro líquido também ficou 6% a 8% abaixo das projeções.

Mesmo assim, o JPMorgan acredita que a reação do mercado poderia ser apenas levemente negativa, já que a melhora nas margens pode indicar uma tendência favorável para os próximos trimestres.

Recomendações divididas: comprar ou vender?

  • JPMorgan: Recomendação overweight (compra), com base em margens resilientes e preço atrativo.
  • Itaú BBA: Recomendação outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 65.
  • Goldman Sachs: Recomendação venda, com preço-alvo de R$ 44,60 e projeção de cenário ainda mais desafiador no segundo semestre.

Para os analistas do Goldman, o ambiente macroeconômico e as incertezas tarifárias devem continuar pressionando o desempenho da ação, reduzindo as chances de recuperação no curto prazo.

O que esperar da WEG no 2º semestre?

A próxima teleconferência com analistas está marcada para quinta-feira, 24 de julho, às 11h.

Os principais pontos de atenção serão:

  • Impacto das tarifas dos EUA nas exportações brasileiras;
  • Andamento do pipeline de projetos solares;
  • Perspectivas de crescimento para o segundo semestre e 2026.

Conclusão: WEG tropeça no curto prazo, mas pode surpreender no longo

Apesar do desempenho financeiro mais fraco do que o esperado.

A WEG ainda é vista por muitos como uma empresa sólida e inovadora, com forte presença global e capacidade de adaptação.

Para investidores com foco no longo prazo, as quedas recentes nas ações podem representar um ponto de entrada estratégico.

Especialmente considerando as margens resilientes e o potencial de recuperação à medida que o ambiente externo se estabiliza.

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